¤ Edição I : Cartas e poemas ¤

O amor e o crânio vinho dos anjos


o amor sentado sobre o crânio
Desta humanidade,
E sobre este trono profano
A rir da maldade,

Sopra a sorrir bolhas redondas
Que sobem pelo ar,
Como se ao mais longínquo mundo
Quisessem chegar.

O globo luminoso e frágil
Voa arrebatado,
Rompe e escarra a alma delicada,
Como um sonho dourado.

Escuto o crânio a cada bolha
Gemente rezar
- Esta feroz farsa ridícula
Quando irá acabar?
Pois o que a tua boca amarga,
Joga pelo ar langue,
É celebro, ó monstro assassino.
É coração e sangue!

Charles Baudelaire

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