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O vinho dos anjos
Anjo feminino caído do céu
Conceda-me teu mais doce carinho
Deixa me desnuda-la ate o ultimo véu?
Anjo feminino caído do céu
Quero beber contigo o lascivo vinho,
Na penumbra de meu mausoléu
Anjo feminino caído do céu
Dissipe a tristeza de minha alma soturna
Dissipe a solidão, amarga feito fel
Anjo feminino caído do céu
Quero beber em teus lábios a fortuna!
E sorver no teu corpo o languido mel.
Anjo feminino caído do céu
Tu és a esperança em meio ao infortúnio
de minha existência solitária e cruel!
Anjo feminino caído do céu
Façamos desta necrópole sombria
Nosso decadente e funesto bordel
Anjo feminino caído do céu
A infelicidade que me recobria,
No calor do âmago teu, esvaeceu.
Washington M. Costa
Zine Lacrimitude e " Poesias e arte Obscura"
R. 01 São Miguel, 09
Sto Antônio do monte - MG
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Alquimia
Meu amor torturado
Triturado e moído
Um abutre encantado
Veio roer-lhe o fígado
Imergi seus despojos
Em infusões de mercúrio
E dissolve no fogo
Seus átomos de ouro
Sob a luas de sangue
Já filtrado e exaurido
Na retorta de lágrimas
Transmutou-se fluídico
Eram rubras partículas
Do mais puro cristal,
Flamejantes, voláteis:
Grã obra mineral
Na fornalha soturna
De emanações sombrias
Seu núcleo de paixão
Evaporou-se em um dia
A paixão bipartida
Infiltrou-se me louca
Me arrebatando as vísceras
Meu coração de loba.
Teresa Tenório
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