¤ Edição IV : Entrevista - Eneas Neto ¤





Se existe hoje um panorama alternativo no Brasil, se deve ao trabalho do "incansável" Eneas Neto, eterno divulgador e atualmente a frente do site "fiberonline". Outrora responsável pela gravadora Cri Du Chat, Eneas revela um pouco de suas idéias em entrevista exclusiva.



1 - Quando e como surgiu o seu interesse pela música eletrônica?
Mais ou menos quando tinha 10 anos, quando comecei a prestar atenção às produções da disco music. Não gostava muito daquelas que era mais "soul", mas ficava vidrado nos "barulhinhos" eletrônicos de gente como Giorgio Moroder e Dee D. Jackson.


2 - Dos grupos nacionais que fizeram parte do "cast" da Cri Du Chat, qual você considera de maior importância para a cena na época?
È difícil falar de importância, mas podemos citar duas figuras que marcaram, cada um de sua forma, a estética eletrônica da época: Símbolo e Aghast View.



3 - Você acha que os apreciadores da musica eletrônica alternativa no Brasil ficaram órfãos após o fim da Cri Du Chat Disques?
Não creio. Com tanta informação na Internet é difícil ser órfão de algo. Só se quiser realmente.



4 - Recentemente foi criado uma divisão dentro do portal Fiberonline, a Fiber Records, cujo primeiro lançamento foi o Taxidermy, box do seminal grupo Harry. Agora vocês estão distribuindo dois álbuns do não menos influente Simbolo. De certa forma é uma maneira de continuar o trabalho iniciado com a Cri Du Chat?
Não foi essa a intenção. O interesse da Fiber Records é o resgate da história eletrônica nacional. A CDC tinha o interesse em promover novos artistas. Essa é a tarefa do FiberOnline, que serve de vitrine para quem acha que a música eletrônica está estagnada.



5 - Como foi produzir um programa como o Zensor, que trazia sempre muitas novidades e informações de todas as partes do mundo numa época em que sequer existiam as facilidades da Internet?
Era muito bom! Adorava perder os finais de semana produzindo o programa. Era uma época bacana e importante para quem gostava de música alternativa, pois, como você disse, não tinha Internet e a informação era muito restrita. Não vejo função hoje para um programa de rádio assim. Mas não descartaria realizá-lo novamente.


6 - Existem planos de lançar novos artistas nacionais?
"Lançar" é muito efêmero, já que com a Internet todos os dias surgem ótimos artistas. Está tudo mudando muito rápido e hoje lançar um álbum de um artista não tem o mesmo peso do que no início da década de 90. Eu aposto muito em promoção virtual mesmo, a não ser que seja um projeto bacana, mais conceitual que necessite de suporte áudio- visual.






7 - Dentro do que é feito hoje no Brasil, em termos de música eletrônica, quem você destacaria?
Tem muito artista bom. Só no FiberOnline são mais de 1000 cadastrados. O que eu mais gosto é do ecletismo e do rompimento de barreiras. Tem bandas EBM flertando com electro e rock, roqueiros indo pro IDM, tranceiro com um pé no lounge. Acho bacana isso.

8 - Em que projetos você esta envolvido atualmente?
Esse é meu grande problema. Tenho muitos! Há quatros anos comando a Trash 80's com o Tonyy, que é uma festa que satiriza o culto extremo e quase xiita dos anos 80. Mostramos o quanto a década tinha de coisas descartáveis e pop. Com a Fiber, tenho produtora web, de shows, divisão de softwares e comércio on-line. Fora isso, comecei a organizar alguns shows, como foi o Machina Festival.

9 - Esta entre os planos do Fiber a organização de eventos dedicados a musica eletrônica?
Vários. Para 2006 teremos alguns eventos bacanas.

10 - Deixa aqui uma mensagem para os leitores do zine.
Para quem quiser saber mais sobre os caminhos da produção eletrônica nacional, acessem: www.fiberonline.com.br.
Um abraço a todos.




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